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A poesia está nos olhos de quem lê... Hora Marcada
Meu amor pra mim não volta... Não podia pedir demissão É tão bonita nossa história Como estou agora então?
Presencio um vazio infindo E me agasalho nos travesseiros Alguns falam em destino, Ou que não o tratei com zelo.
E tu, o que me dizes tu? Que não noticiaste o motivo Nem disseste se foste ao norte ou sul
Não deixou rastro pr’eu seguí-lo Apenas acordei abandonada Sem aviso prévio ou hora marcada. (19/01/2009)
Escrito por Joamila Brito às 19h11 [] [envie esta mensagem] [link] Onde vivo de amar
Este meu esconderijo está desmoronando O céu parece mais presente agora Meu medo me tornou um cúmplice hediondo Não consigo me manter lá fora,
Contei algumas mentiras sem importância Pra me consolar durante a realidade Por mais que tentem me manter a distância Eu ainda sinto algo de liberdade.
E o meu pensamento escolheu ficar Os sonhos far-lhe-ão companhia Ambos insistem em não renunciar
Pois também você isso faria Se como eu, vivesse para amar apenas Suportando desprezo, injúrias e ofensas.
(28/12/2009) Escrito por Joamila Brito às 22h59 [] [envie esta mensagem] [link] AVANÇAR DA HORA
Prefiro o quarto escuro e vazio A enfrentar de vez a solidão Não que eu queira prestar reclamação Só desejo espantar a ferocidade do frio.
Pressinto, e mais ainda confio, Na estúpida revelação Que suplanta o que sabia de antemão Ao dia venturoso por qual porfio
A única coisa de que preciso agora É da confortadora liberdade, Mantenedora do ideal de verdade
Eu esqueço até mesmo do medo Que aparenta suave e ledo No avançado em que se encontra a hora. (18/10/2010) Escrito por Joamila Brito às 21h43 [] [envie esta mensagem] [link] ILUSÓRIOS TRANSES
Neste momento, em que o tempo me consola As nuvens se mostram como o meu pensamento A minha imaginação alcança o movimento Da abstração suave que se imola
Peço aos céus formas feito bola Quero me deslocar até o firmamento Completando assim o contentamento Com um salto perfeito de uma mola,
Quem dera que os dias transitórios Não passassem de sustos contados E os instantes dos lapsos montados
Fossem mentiras criadas por pouco Para forjar o meu estado de louco E identificar os transes ilusórios. (05/09/2010)
Escrito por Joamila Brito às 20h34 [] [envie esta mensagem] [link] Soneto de Qualquer Instante
A multidão gradativamente desapareceu Presenciei cada qual das despedidas De todos que principiaram só resta eu Que conheci a maioria dessas vidas
Estou esperando o meu momento, O frio que acomete apavora Acho que testam o desprendimento, Pelo adiantado que se mostra a hora,
Percebo um estranho pressentimento Talvez eu tenha ido mais depressa Pensando bem no sentimento
É a liberdade que se mostra à beça E não tenho um só companheiro Voltamos então ao instante primeiro. (05/08/2009) Escrito por Joamila Brito às 14h39 [] [envie esta mensagem] [link]
Contemplo-te sempre de longe E você nunca percebeu Hoje, ontem e anteontem Breves momentos de apogeu
Sinto enorme regozijo Quando noto sua silhueta Passo a ter arrepios Com seu ar de nobreza
Nem sei como tudo começou Lembro que um dia lhe avistei Um sorriso, em minha face, esboçou
Que sentimento! – eu pensei... Deve ser o tal amor que tanto ouvi, Só pensei que não pudesse existir. (11 e 14/07/2007) Escrito por Joamila Brito às 20h40 [] [envie esta mensagem] [link] Soneto de Amizade
Um motivo pra amar alguém... Pra ser sincera, nunca ouvi falar Há uma linha tênue entre querer bem E a contemplação que faz admirar
Ao fundirem-se o horizonte amplia, O céu passa a ser o Universo Parece até que antes não existia Mas o verbo se faz verso
Mais do que o movimento incessante Existe a beleza infinda da ação E dentro deste espaço intrigante
O próprio amor é agora a razão E na escrita da estrela simples, nua Nossa amizade está banhada pela lua.
(05/05 /2009) Escrito por Joamila Brito às 11h41 [] [envie esta mensagem] [link] PEDIDOS
Se eu pedisse o sol já teria chegado, Ou mesmo os anéis de Saturno Se eu a lua tivesse desejado, Ou todos os mares do mundo.
Se as pirâmides egípcias fossem o meu pedido, Ou o branco cavalo de Napoleão E se eu quisesse adivinhar o destino Do homem que inventou o avião...
Se de estrelas eu imaginasse um jardim E um bosque todo de cometas Seria mais fácil para mim
Eu realizaria com toda a certeza, Mas fui pedir os teus beijos de mel Mais fácil seria ganhar a chave do céu. (10/01/2009) Escrito por Joamila Brito às 20h43 [] [envie esta mensagem] [link]
A névoa escura surge dos teus olhares, O meu pensamento parece naufragar Eu rezo e imploro alguns milagres Que não me deixem fracassar,
Confiei que poderíamos ser discretos E tu não quiseste entender o que eu sentia Tentei com palavras e com gestos Mas quem de vós me entenderia?
Olho pro céu e ao primeiro clarão Desmaio e venero, quase soluço... E se todos fazem a mesma indagação
Não precisarei repetir o discurso Não sou vítima, sozinho eu me enganei, Contudo, errar... Não digam que errei! (04/12/2009) Escrito por Joamila Brito às 16h36 [] [envie esta mensagem] [link] METAMORFOSE
E a metamorfose nunca se completa Num instante eu percebi o mundo A vida devagar e indiscreta Suplanta quase, ou mesmo, tudo
Os detalhes em amiúdo, Que passam despercebidos, Soam ríspidos como insultos Ou meigos lembrando sorrisos,
Vai, deixa o vento ir embora! O frio, eu sei, irá enregelar-me, Mas se ele tem de ir, que seja agora,
Antes que mais tarde seja tarde, Eu caminharei até o horizonte Onde o mais perto é sempre longe.
(07 e 11/11/2009)
*Co-autoria de Elenízia Martins Escrito por Joamila Brito às 17h54 [] [envie esta mensagem] [link] |
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